domingo, 7 de agosto de 2011

Os últimos não serão os primeiros. Ao menos, no Brasileirão.

O America de Minas goleou o Fluminense e, nem por isso, deixou a lanterna do campeonato brasileiro.  O Corinthians empatou com o vice-lanterna Atlético Paranaense e, até por isso, deixou escapar a liderança do campeonato. Liderança, agora, do Flamengo com vitória construída no minuto final contra o Coritiba.  É, ao menos no brasileirão, não dá  para dizer que os últimos serão os primeiros.
Luis Fabiano seria o primeiro. A opção para o ataque. Mas ele se recupera e o jovem Cícero aproveita. No seu primeiro jogo como titular do São Paulo, foi brilhante, diária do outro. Fez os dois gols da vitoria contra o Avaí. Um deles, um gol de craque, de categoria, de quem sabe o que fazer quando está na frente do goleiro adversário.
E o sonho de consumo de 9 em cada 10 clubes do brasileirão, agora está por aí, em busca de um novo destino. A 8ª derrota do Atlético Mineiro, desta vez para o Figueirense, custou o cargo do técnico Dorival Júnior.  O Internacional de Porto Alegre, que venceu apertado o Cruzeiro, 3 a 2, é um dos primeiros da fila. Mas a concorrência é grande.
Será que agora vai? Uma vitória magra, um a zero, e o Santos despachou o Ceará. E se afasta do fantasma da zona do rebaixamento. É difícil manter motivação e concentração quando, a bem da verdade, os objetivos já foram alcançados: mundial interclubes no final do ano e Taça Libertadores, ano que vem. Se conseguir isso, aí sim...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Neymar. Sem meias palavras.

Ontem, o menino prodígio do Santos postou no twitter? "Agora eu sou meia !" Curta mensagem que poderia representar descontentamento em relação ao treinador Muricy Ramalho, numa análise apocalíptica. Algumas redações borbulharam, algumas pautas já se desenhavam nas cabeças mais apressadas (ou estressadas), enfim...
O tempo passou, os ponderados convenceram a espera pelo "desenrolar" dos fatos. Pois bem. Hoje, aparece uma peça publicitária nos principais jornais esportivos do país com  a seguinte manchete: " Neymar, agora sou meia".  O que significa ? Que ele passa a ser patrocinado pelas Meias Lupo. Bela jogada, não ?

Fica a lição. As novas mídias que tanto favorecem novas pautas, antevisão de notícias, também são ferramentas de uso de marketing, propaganda. É preciso saber conviver com os novos tempos. É essa a receita para o sucesso. 

Não fossem os blogs, como poderia passar essa mensagem, agora ? Impossível viver sem a tecnologia.

“Jeitinho brasileiro” ou das Arábias ? Exclusivo.

Pode parecer jeitinho brasileiro ou coisa das arábias. E é de certa forma. Você sabia que um treinador brasileiro foi o único, até hoje, a levar os Emirados Árabes Unidos para uma Copa do Mundo? Sabia que esse mesmo treinador não disputou o Mundial e largou o time depois de garantir essa vaga? Pois aconteceu, em 1990. O personagem era Mário Jorge Lobo Zagallo. O treinador receberia uma premiação, em dinheiro, pelo objetivo alcançado. Estava em contrato. O Governo do país resolveu, por iniciativa própria, também premiar Zagallo. Só que um diretor da Federação de Futebol local – uma espécie de CBF – além de não cumprir o acordado, ainda quis forçar Zagallo a assinar dois recibos.  Não houve acordo e Zagallo abandonou o projeto. Nunca havia denunciado o caso. Revelou-me com exclusividade essa semana, às vésperas de completar 80 anos de vida.
Paulistas e Cariocas em alta no campeonato brasileiro. Os quatro primeiros do brasileiro pertencem ao Rio de Janeiro e São Paulo. Corinthians, Flamengo, São Paulo e Vasco da Gama, respectivamente fazem a geografia do sucesso no principal campeonato do país. Revivem-se os velhos tempos dos estados ricos da nação.
Arábia Saudita ou Nigéria. É o caminho da seleção brasileira sub-20 que derrotou, ontem, o Panamá. Assim, com a goleada, a Argentina foge do cruzamento com os brazucas. Podendo evitar, é sempre bom, não é mesmo?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Confusão à francesa. O preço da fama.

Uma modelo francesa – muito bonita por sinal – deu entrevistas para um tablóide inglês – sempre eles, os tablóides ingleses – e garantiu ter tido um relacionamento afeito com Ronaldinho Gaúcho. O detalhe. Teria sido em 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, dentro da concentração da seleção brasileira. Ronaldinho entrou na justiça contra as declarações. A decisão acabou de sair. A modelo terá que pagar 100 mil euros ao jogador por danos morais. O Brasil perdeu aquela Copa, Ronaldinho terá diminuído seu prejuízo.
Um peso a mais, um peso a menos. Renan, goleiro do Corinthians, consegue sua primeira vitória como goleiro titular da equipe alvinegra em três jogos. Nesse aspecto, deve estar mais leve. Mas tem outro lado. Na partida de ontem contra o América Mineiro falhou de novo, como aconteceu desde que foi contratado. Já há torcedor vaiando e protestando contra o garoto. Outros querem, logo, a volta de Júlio Cesar. Torcedor é passional, não?
Diego Souza marcou um golaço contra o Santos nos primeiros minutos, na rodada de ontem do campeonato nacional. O Atlético Mineiro só correu para marcar gols contra o Grêmio depois de estar perdendo a partida. Aconteceu duas vezes. Às vezes o futebol é previsível, você não acha?
Endeusamos Ganso cedo demais? Crucificamos Ronaldinho Gaúcho cedo demais? Fiz essa pergunta ao craque Roberto Rivellino. Resposta. Nenhuma coisa nem outra. Ganso ainda não teve grandes conquistas e Ronaldinho já ganhou tudo o que poderia. Motivamos, os dois têm tudo para brilhar, por muito tempo. Opinião de quem, realmente, entende do assunto.

A antítese da “Lei de Gerson”. As lágrimas de um tricampeão mundial

Gerson foi um dos maiores que eu vi jogar usando a camisa 10. Por ironia, não jogou com a 10 quando foi tricampeão mundial, em 70, na maior seleção brasileira de todos os tempos.  A 10 era, e sempre será do Rei Pelé.
Durante anos Gerson rotulado por uma propaganda de cigarro na qual afirmava querer sempre levar vantagem em tudo. Daí nasceu a popular “Lei de Gerson” que rotula os aproveitadores de plantão. Pois bem, Gerson não é um aproveitador, como quis deixar transparecer aquela peça publicitária dos anos 70 e 80. Embora tenha carregado essa pecha, até os dias atuais. Por que estou dizendo isso?  Porque hoje eu vi o nosso tricampeão chorar. Chorou de emoção, de impotência, de tristeza. Chorava, não por ele, mas por amigos – igualmente vencedores no mundo da bola – mas que se perderam no anonimato, na falta de aposentadoria, no abandono, na falta de recursos primários. Gerson, não o da lei, mas o ser humano roga por uma assistência aos amigos, ex-atletas, que não tem, hoje, como manter uma família e nem a própria existência. Entre lágrimas e soluços – sem revelar nomes, por razões óbvias – Gerson revelou-me que, de vez em quando, um ex-campeão mundial – como ele – pede R$ 10, R$ 20 reais para ter a chance de comprar o almoço do dia.
Gerson, não o da Lei, insiste que jogador de futebol tem que se unir. Não pela aposentadoria especial prometida pelo ex-presidente. Aposentadoria, aliás, que não veio até hoje. Mas uma união para conscientizar de que essa profissão passa depressa, de que os grandes salários são para poucos, de que uma vida ativa de 20 anos como jogador não permite assistência previdenciária, pela lei brasileira. Detalhe.  Gerson não precisa dessa assistência. E não levaria vantagem alguma com esses ganhos que sugere. Conheci um Gerson completamente diferente daquele que mostraram para mim. É ainda mais craque agora.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A lição que deveríamos aprender para a Copa do Mundo.

Na última semana foi ventilado, por todos os cantos, o valor do investimento brasileiro para a cerimônia do sorteio para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Pois bem, três dias depois do evento, todo o “circo”, entre aspas mesmo, está sendo desmontado. Conversei com o treinador Carlos Alberto Parreira, ontem na casa dele, no Rio de Janeiro. Parreira mostrava-se chateado com a decisão. “Se gasta uma fortuna, avaliada em R$ 30 milhões de reais, e não fica um legado para a sociedade”, disse ele.  Carlos Alberto Parreira veja só, comparou o erro brasileiro com o acerto da África do Sul. Lá, os investimentos foram em locais onde, depois da cerimônia, puderam e ainda podem ser realizados eventos, convenções, etc. e tal. E olha que foi só o primeiro lance de grandes jogadas que, certamente, vão nos decepcionar um pouquinho mais. Parreira viveu 4 anos na África do Sul e sabe o que está dizendo.
O Ministério Publico Federal pode suspender as obras de reforma do Maracanã, também no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a reforma do estádio – como determina a FIFA – prevê a cobertura das arquibancadas. E isso iria ferir o tombamento arquitetônico do local. O Ministério diz ainda que o laudo para o andamento das obras está ilegal. Ai eu fico pensando. O estádio de Munique, na Alemanha, para a Copa de 2006 não ficava nem próximo ao estádio antigo, construído para as Olimpíadas de 72 e para a Copa anterior, em 74. Ele manteve-se preservado e outro novo foi construído. Detalhe: custando menos do que vai custar a reforma do nosso tradicional palco da trágica final da Copa de 50. Só os deuses da bola para entender. Deve ter muita gente levando bola.